Cada vez mais tumores do rim são descobertos de forma acidental, numa ecografia ou tomografia pedida por outro motivo, quando ainda são pequenos e não causaram qualquer sintoma. Esta é, aliás, uma boa notícia: quando detectados cedo, a maioria dos tumores renais pode ser tratada com excelentes resultados, muitas vezes de forma minimamente invasiva e preservando o rim.
Porque é que o diagnóstico precoce é tão importante?
O rim é um órgão profundo, protegido pelas costelas e pelos músculos dorsais e lombares. Por isso, os tumores podem crescer durante muito tempo em silêncio. Quando surgem sintomas, a doença pode já estar mais avançada, o que torna o tratamento mais complexo. Daí a importância de valorizar qualquer sinal de alerta e de não ignorar achados incidentais nos exames de imagem.
Sintomas a que deve estar atento
Na maioria dos casos, os tumores renais iniciais não dão sintomas. Quando surgem, os sinais mais frequentes são:
- Sangue na urina (hematúria), visível a olho nu, mesmo que apareça uma só vez e desapareça
- Dor persistente na região lombar ou no flanco
- Uma massa palpável na zona do abdómen ou do flanco
- Perda de peso sem explicação, cansaço persistente ou falta de apetite
- Febre prolongada sem causa aparente
- Anemia detectada em análises de rotina
Tenha em atenção que estes sintomas podem ter muitas outras causas, a maioria benigna. Mas a presença de sangue na urina, em particular, deve sempre motivar uma avaliação urológica.
Quem tem maior risco?
Alguns factores estão associados a um maior risco de cancro do rim, nomeadamente o tabagismo, a obesidade, a hipertensão arterial, a doença renal crónica e a existência de história familiar. Alguns síndromes hereditários raros também aumentam o risco. Conhecer estes factores ajuda a decidir quem beneficia de uma vigilância mais atenta.
Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se, sobretudo, em exames de imagem:
- Ecografia renal, frequentemente o primeiro exame a detectar uma lesão suspeita
- Tomografia computorizada (TC) com contraste, o exame de referência para caracterizar a lesão, avaliar a sua extensão e verificar se existe doença noutros locais
- Ressonância magnética, útil em casos seleccionados ou, por exemplo, quando há contraindicação para o contraste da TC
Nem todas as massas renais são cancros. Alguns tumores são benignos, e a imagem permite distinguir muitos casos. Em situações seleccionadas, pode ser indicada uma biopsia da lesão para esclarecer a sua natureza antes de decidir o tratamento.
Tratamento: cada caso é um caso
A escolha do tratamento depende do tamanho e da localização do tumor, do tipo de células, da extensão da doença, da função do rim e do estado geral do doente.
Vigilância activa. Em tumores muito pequenos, sobretudo em doentes mais idosos ou com outras doenças, pode ser razoável acompanhar a lesão com exames regulares, sem tratar de imediato.
Nefrectomia parcial. Sempre que possível, o objectivo é remover apenas o tumor, preservando parte do rim e a sua função. É o tratamento de referência para a maioria dos tumores localizados de pequena dimensão, realizado por cirurgia minimamente invasiva.
Nefrectomia radical. Quando o tumor é maior ou a sua localização não permite preservar o rim, é necessário remover todo o órgão. Mesmo assim, a maioria dos doentes leva uma vida completamente normal com um só rim saudável, e esta cirurgia também pode ser feita por via minimamente invasiva.
Ablação térmica. Técnicas como a criocirurgia ou a radiofrequência destroem o tumor através do frio ou do calor, e podem ser uma alternativa em casos seleccionados, nomeadamente em doentes com maior risco cirúrgico.
Terapêutica sistémica. Nos casos mais avançados, a imunoterapia e as terapêuticas dirigidas a alvos moleculares transformaram o prognóstico nos últimos anos, e são decididas em conjunto com a oncologia.
Quando marcar consulta?
Deve procurar avaliação urológica se:
- Notou sangue na urina, mesmo que tenha sido apenas uma vez
- Tem dor lombar persistente sem causa aparente
- Foi-lhe detectada uma massa ou um quisto no rim num exame de imagem e tem dúvidas sobre o que fazer
- Tem factores de risco ou história familiar de cancro do rim
- Quer uma segunda opinião sobre o tratamento que lhe foi proposto
Um achado no rim não significa necessariamente cancro, e mesmo quando o é, existem hoje abordagens eficazes e cada vez menos agressivas.
Foi-lhe detectada uma lesão no rim ou tem sintomas que o preocupam? Marque uma consulta comigo e vamos avaliar em conjunto o seu caso, com rigor e tranquilidade, para definir o melhor caminho.
Este artigo tem fins meramente informativos e não substitui uma consulta médica.
Dr. Bruno Jorge Pereira
Cédula Profissional da Ordem dos Médicos 44385