Perder urina sem querer é um problema muito mais comum do que se pensa, mas poucos homens falam dele. Muitos aprendem a conviver com pensos (ou fraldas), a evitar saídas, viagens ou desporto, e acabam por aceitar como "inevitável" algo que, na maioria dos casos, tem tratamento. A primeira coisa a saber é que a incontinência urinária não é uma fatalidade, nem uma consequência normal da idade.
Nem toda a incontinência é igual
Antes de falar em tratamento, é essencial perceber de que tipo de incontinência se trata, porque cada uma tem causas e soluções diferentes.
Incontinência de esforço. Perdas de urina ao tossir, espirrar, rir, pegar em pesos ou fazer exercício. Deve-se a uma fraqueza do esfíncter urinário, e é o tipo mais frequente após a cirurgia radical da próstata.
Incontinência de urgência. Vontade súbita e intensa de urinar, difícil de adiar, com perda de urina antes de chegar à casa de banho. Está associada a uma bexiga hiperactiva e também pode ser uma manifestação da hiperplasia benigna da próstata.
Incontinência por regurgitação (ou por transbordamento). A bexiga não esvazia correctamente, enche em excesso e perde urina em pequenas quantidades, muitas vezes de forma contínua. Costuma estar ligada a uma obstrução significativa, como o aumento da próstata ou uma estenose da uretra.
Incontinência mista. Combina características de mais do que um tipo, sendo frequente que coexistam a incontinência urinária de esforço e de urgência.
Porque é que acontece?
As causas mais comuns incluem a cirurgia ou a radioterapia da próstata, a cirurgia para a hiperplasia benigna da próstata, doenças neurológicas, a diabetes e o envelhecimento da bexiga. Identificar a causa é o primeiro passo para escolher o tratamento certo.
Avaliação: o diagnóstico define o tratamento
Uma boa avaliação inclui a história clínica detalhada, o registo das micções e das perdas, a medição do resíduo pós-miccional e, quando necessário, um estudo urodinâmico e uma uretrocistoscopia. Esta etapa é determinante: tratar o tipo errado de incontinência é uma das principais razões para os resultados insatisfatórios.
Tratamentos não cirúrgicos
Nos casos ligeiros, ou logo após uma cirurgia, o treino dos músculos do pavimento pélvico e as alterações de hábitos podem trazer melhorias significativas. Estas medidas valem a pena, mas quando não são suficientes, ou quando a incontinência já persiste há muitos meses, os tratamentos cirúrgicos devem ser considerados. Na incontinência de urgência, os medicamentos para a bexiga hiperactiva são habitualmente a primeira linha.
A solução cirúrgica
Hoje existem opções cirúrgicas bem estabelecidas, com elevadas taxas de satisfação, que podem devolver ao doente o controlo urinário e a confiança no dia-a-dia.
Sling (fita) masculino. Indicado sobretudo na incontinência de esforço ligeira a moderada. É um procedimento relativamente rápido, em que é colocada uma pequena banda de suporte por baixo da uretra, que a comprime suavemente e reforça o mecanismo de continência, sem necessidade de accionar qualquer dispositivo.
Esfíncter urinário artificial. Considerado a solução de referência na incontinência de esforço moderada a grave. Trata-se de um dispositivo discreto, implantado no organismo, que funciona como um "esfíncter de substituição": mantém a uretra fechada e é aberto pelo próprio doente, através de uma pequena válvula, quando pretende urinar. Oferece um controlo muito consistente e adapta-se bem a quem tem uma vida activa.
Incontinência de urgência refractária. Quando os medicamentos não funcionam, existem alternativas como a injecção de toxina botulínica na bexiga e a neuromodulação, realizadas de forma minimamente invasiva.
Incontinência por regurgitação. O tratamento passa por resolver a causa da obstrução, seja a hiperplasia benigna da próstata ou uma estenose da uretra, para que a bexiga volte a esvaziar-se adequadamente.
A escolha entre estas opções depende do tipo e da gravidade da incontinência, do historial de tratamentos anteriores e das preferências de cada doente, e deve ser sempre individualizada.
Quando marcar consulta?
Deve procurar avaliação urológica se:
- Perde urina ao esforço, ao tossir ou ao praticar exercício
- Sente urgência súbita e não consegue chegar a tempo à casa de banho
- Mantém perdas de urina meses após uma cirurgia ou radioterapia da próstata
- Precisa de usar pensos ou fraldas no seu dia-a-dia
- A incontinência condiciona a sua vida social, profissional ou íntima
Não precisa de se conformar. Com um diagnóstico correcto e o tratamento adequado, a maioria dos homens recupera uma melhoria clara da sua qualidade de vida.
Perde urina e quer perceber qual a melhor solução para o seu caso? Marque uma consulta comigo e vamos avaliar, com calma e discrição, as opções mais adequadas à sua situação.
Este artigo tem fins meramente informativos e não substitui uma consulta médica.
Dr. Bruno Jorge Pereira
Cédula Profissional da Ordem dos Médicos 44385